SPFW - Inverno 2010 - Cavalera e Osklen

Começou o SPFW, o evento de moda mais importante da América Latina, todos os olhos voltados à capital paulista até a próxima sexta-feira (22), muita expectativa. O tema desta temporada é “Linguagens”, nada mais atual, já que as formas de comunicação em moda, que ultimamente têm sofrido grandes transformações – como o fenômeno dos blogs de moda que até a poderosíssima Anna Wintour reconhece a importância – são os assuntos da vez.

Cavalera, Osklen, Priscilla Darolt, Fause Haten, Mario Queiroz, Rosa Chá e Colcci compõem o line-up do primeiro dia. É muita informação por metro quadrado e tempo, por enquanto só consegui escrever sobre os desfiles da Cavalera e Osklen, acompanhem:

Cavalera

A Galeria do Rock, um dos lugares onde é possível encontrar os mais descolados de Sampa, não podia ser melhor locação para o desfile da Cavalera, marca que tem em seu DNA o rock puro e pesado. Além desse detalhe, freqüentadores do lugar foram escalados para dar um clima mais underground ao desfile. A coleção foi apresentada ao alto som de Igor Cavalera, um dos fundadores da marca. O styling é assinado por David Pollack.

O desfile foi dominado por um clima de fetiche e muito dark, por isso, o preto foi a cor eleita, mas com toques de verde, pink e azul... Até o jeans tinha uma lavagem mais escura, ora com resinas, ora metalizados – o jeans dourado promete ser sucesso de vendas. O fetiche ficou por conta das transparências, dos minis, decotes, corsets, brilhos e tachas.

A silhueta é bem solta, amplos blusões, blusas soltinhas, cavalo baixo para eles, calças carrot... Grande destaque para a alfaiataria, peças desconstruídas – como o corset - vários casaquetos e coletes que funcionam como ótimos separates.

Rock Chic - Alfaiataria, prints, transparências e aplicações

Osklen

Por vários motivos a Osklen é uma das minhas marcas nacionais favoritas, tem a atitude urbana e cool desejável, universal e moderna. Osklen procura subverter os padrões locais, não é sexy nem comercial suficiente para o público brasileiro de modo geral, mas está acima disso, é cosmopolita, aposta em um público que está no mundo inteiro, que procura qualidade, conforto, estilo.

Arquitetura, futurismo, androgenia são só algumas palavras que essa coleção de Oskar Metsavaht nos remete. Formas geométricas foram incorporadas à silhueta, com peças verdadeiramente estruturadas, como se a roupa não encostasse o corpo, mas acompanhasse suas formas – coisa que Balenciaga, conhecido como o arquiteto da moda, já se preocupava com isso nos idos de 1950/60.

O resultado é muitos shapes retos, quadrados, amplos, que sugerem uma nova e mesma silhueta para homens e mulheres, poucas cores – vários looks monocromáticos - uma estética andrógena e minimalista. Afinal, se o mundo caminha para o uso racional de seus recursos, isso se refletirá também na moda, e então na maneira de vestir das pessoas, que estarão cada vez mais preocupadas com a usabilidade e durabilidade de uma peça – o fim do fast fashion. Então para quê tantas cores, tantas formas?!

Por falar nisso, o tema da coleção também nos faz pensar nessa coisa toda da sustentabilidade, é um olhar ao passado, ao passado da própria marca, dos verões da Osklen. Nesse sentido, muitos tecidos foram reciclados e reaproveitados na coleção. Dos verões surgem também os biquínis, bodys e mini shorts, já que o nosso inverno é de todas as temperaturas e que é preciso estar preparado para frio e calor. Por último teve estampa sim, folhas e flores tropicais, sobre a rigidez das formas amplas e retas.

Olhar futurista – androgenia e arquitetura
Tricôs de ponto largo e os crochês também são sugeridos para homens e mulheres
Estampa de verão, shape de inverno

Verão com cara de inverno – coberturas casulos, luvas e hot pants

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